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BOLÃO DA FINAL

Por Nelson Botter

O BlogGol fecha a série de artigos sobre a Copa do Mundo de 2006 com um bolão realizado com jornalistas e artistas, que opinaram sobre o placar da grande final de domingo. Com apenas um voto de vantagem a França é a favorita para nossos entrevistados:

Vitória da Itália:

Juca Kfouri, jornalista - Itália 2 X 0 França

Marcelo Tas, apresentador - Itália 2 X 1 França

Sérgio Britto, vocalista dos Titãs - Itália 3 X 1 França

Jal, cartunista - Itália 2 X 1 França

Xico Sá, jornalista - Itália 1 X 0 França

José Roberto Torero, jornalista - Itália 1 X 0 França

 

Vitória da França:

Leo Jaime, cantor - Itália 0 X 1 França

Michelle Giannella, apresentadora - Itália 1 X 2 França

Gustavo Duarte, cartunista - Itália 1 X 2 França

Gisela Rao, escritora - Itália 0 X 2 França

Eduardo Vieira, jornalista - Itália 0 X 1 França

Caco Galhardo, cartunista - Itália 1 X 2 França

Marcelo Coelho, escritor - França nos pênaltis

Agora é a hora de sabermos quem é bom de palpite!

 



 Escrito por BlogGol às 11h44 [] [envie esta mensagem]






PELÉ TINHA RAZÃO

Por Nelson Botter.

E não é que Pelé estava certo? Seu mau pressentimento com relação ao jogo contra a França se confirmou. Além disso, ficou notório que essa atual seleção perderia para a de 70, como também disse o rei do futebol. Então, no final das contas, Pelé (no melhor estilo vidente) mostrou que nem sempre fala bobagem, como afirmaram Cafú e Roberto Carlos (que por sinal, são grandes responsáveis pelas "previsões" de Pelé se confirmarem). Pois é, o mundo da bola também é redondo e gira tanto quanto o mundo real... Ah, e para o Parreira que se espantou com a capacidade de Pelé conseguir comparar duas seleções de épocas tão distintas fica a lição: Pelé é um deus.



 Escrito por BlogGol às 12h03 [] [envie esta mensagem]






MARADONA É SHOW

 

Por Nelson Botter.

 

Maradona tem dado show nessa copa. Sempre procurado pelas câmeras, Diego aparece mais do que muito jogador que está atuando em campo. Chega a ser engraçado vê-lo torcendo, cheio de caras e bocas, assim como já fazia quando jogador, sofrendo ou em pleno delírio com sua velha e boa Argentina. Ele faz questão de parecer um ídolo popular, sempre trajado com a camisa da Argentina, diferentemente de Pelé, Beckenbauer e outros craques que trajam elegantes ternos nos estádios.

 

Em entrevista para uma rede de esportes, a figuraça Maradona afirmou: "Podem me dar o Ronaldo gordo, bêbado, ou como for, mas me dêem, quero sempre ele na minha equipe". É o aval do jogador mais habilidoso de todos os tempos para o maior goleador de todas as copas, confirmando que se temos Ronaldo, devemos colocá-lo pra jogar, mesmo não conseguindo controlar a bola como antes, mesmo não acertando muitos passes, mesmo nitidamente sem tempo de bola. Ronaldo tem crédito e mesmo fora de sintonia pode resolver.

 

O craque argentino também disse que em 90 sua seleção foi roubada na final contra a Alemanha, em território italiano, e que isso o fez chorar muito. Realmente a partida foi decidida num pênalti bem suspeito e como Diego sabe das coisas, principalmente quando o assunto é nos bastidores do futebol, convém prestar atenção. Como nós brasileiros, já deve estar com a pulga atrás da orelha em relação às arbitragens que estão por vir, especialmente na partida contra a dona da casa, Alemanha.

 

Enfim, nessa sexta-feira mais um show de caras e bocas de Maradona nos espera. Um espetáculo tão imperdível quanto o jogão de bola que nos será proporcionado. Pois é, Diego, é ótimo tê-lo ainda em campo, de um jeito ou de outro.

 

Nelson Botter amanhã torce pela Alemanha, mas se a Argentina merecer, que vença!



 Escrito por BlogGol às 19h20 [] [envie esta mensagem]






ZIDANE MERECE

Por Nelson Botter.

Os deuses da bola são sábios. O genial Zidane é um dos poucos jogadores mundiais que poderia ser titular absoluto na seleção brasileira, não só por sua técnica apurada e cadência magistral, mas também pela incrível visão de jogo. Agora, em ritmo de despedida do futebol, ele bem que merecia brilhar, uma forma de coroar uma carreira fantástica e vitoriosa. Nos dois primeiros jogos da França esteve apagado. No terceiro nem jogou por suspensão. Contra a Espanha seu momento chegou. É claro que não vimos em campo o Zidane de outros tempos, mas aquele gol no final do jogo, que selou a morte dos espanhóis na competição, foi um prêmio ao grande comandante do meio campo francês. Com isso, sua participação na copa já fica emblemática, o lance fez com que se tornasse destaque da partida ao final, com a câmera buscando Zidane o tempo todo. Enfim, ao rei a sua devida coroa. E fico feliz que isso tenha acontecido agora nas oitavas, pois assim não ficaremos muito tristes ao vê-lo se despedindo do futebol definitivamente neste sábado, contra um Brasil engasgado por 98. 



 Escrito por BlogGol às 18h08 [] [envie esta mensagem]






DIDA, JUAN, R.GAÚCHO, RONALDO, RICARDINHO E UMA AJUDA DA ARBITRAGEM

 Reuters

 

Por Milly Lacombe.

 

Esses foram os personagens desse jogo. O gol quase relâmpago de Ronaldo, os passes precisos de Ronaldinho Gaúcho, o oportunismo de Ronaldo, a entrada simplesmente soberba de Ricardinho e a ajuda da arbitragem, validando um gol em impedimento de Adriano, fizeram a história do jogo.

 

Cenas que podem contar um pouco mais dessa história:

 

Cafu e Roberto Carlos, cara-a-cara com o gol adversário, preferiram chutar bisonhamente a gol do que passar a bola para Ronaldinho Gaúcho, completamente livre dentro da área. Ronaldinho saiu de cara amarrada, com toda a razão.

 

Kaká sentiu o joelho nos dez primeiros minutos de jogo, insitiu em continuar e não fez nada. Em oito minutos dentro do campo Ricardinho fez muito mais do que ele. Está na hora de redefinirmos o tamanho de Kaká dentro desse time. Não o considero titular absoluto, não o considero um armador nem tampouco um líder. Acho que ele é um bom meia-atacante que pode ser bem aproveitado em determinados jogos, que pedem certas estratégias. Acho que é um jogador de excelente preparo físico, que sabe se colocar muito bem em campo e faz uma leitura do jogo como poucos fazem. Mas é isso. Pode ser substituído com méritos por Juninho Pernambucano ou Ricardinho, dependendo da necessidade do jogo.

 

Emerson saiu lesionado. Uma trava a menos para esse nosso meio de campo. Gilberto Silva desarma tanto quanto e sabe sair jogando.

 

Cafu e Roberto Carlos transformaram nossas laterais em zonas “copo d’água”: uma região sem cheiro, sem cor, sem gosto.

 

Dida fez defesas difícies e importantes para a consolidação do resultado. É nosso melhor goleiro e se coloca tão bem que faz toda defesa parecer fácil. Responsável direto pelo placar.

 

Juan, que nunca havia me convencido como titular absoluto, esteve perfeito. Antecipando a marcação e cobrindo as subidas desajeitadas dos laterais.

 

Ronaldinho Gaúcho, fora de posição e sacrificado, tem sido primordial para as vitórias do Brasil. Quem espera dele chapéus e lambretas talvez esteja decepcionado com tanta obediência tática. Mas é dos pés dele que saem as principais jogadas de ataque do Brasil.

 

Ricardinho, quando joga na entrada da áera, junto aos atacantes, é mortal. Provou isso hoje. Foi dos pés dele que sairam as jogadas mais bonitas da partida. E ele teve apenas oito minutos para mostrar sua ginga.



 Escrito por BlogGol às 15h00 [] [envie esta mensagem]






ERA SÓ ISSO

Por Milly Lacombe.

 

Quem disse que o Parreira não sabe surpreender? Enquanto todos esperávamos por um time retrancado, eis que ele vira a mesa contra o Japão.

 

Que bom ver Gilberto Silva nesse meio de campo.

 

Que bom ver Emerson no banco.

 

Que bom ver Gilberto na lateral esquerda.

 

Que bom ver Roberto Carlos no banco.

 

Que bom ver Juninho Pernambucano em campo.

 

Que bom ver Adriano no banco.

 

Que bom ver o Gaúcho mais leve, mais criativo, mais ajudado na armação.

 

Que bom ver a bola chegando redonda para o ainda redondo Ronaldo. Um jogador tão bom que pode se dar ao luxo de estar visivelmente lento e fora de forma e, ainda assim, decidir.

 

Mas, importante lembrar, que num jogo tão aberto e tão sem marcação, com dois laterais se movimentando bem e com um meia armador em plena forma, talvez Fred e Adriano também tivessem brilhado se escalados.

 

Saiu a trinca que trava (Roberto Carlos, Cafú e Emerson) e ficou provado que esse negócio de quadrado era ilusão. O que temos nessa seleção é um triângulo das Bermudas: quando essa trinca que trava é escalada, nosso futebol some.

 

Todo o respeito à trinca. Eles foram heróis. Mas heróis de um passado recente. Hoje, são escalados por dever histórico. É hora da renovação. Hora de ceder lugar a quem está mais preparado, mais afinado, mais interessado: Gilberto Silva, Cicinho e Gilberto.

 

Agora, é preciso colocar esse jogo em perspectiva: era contra um Japão moralmente aniquilado, que precisava sair para o jogo, que não apertou a marcação e que é, definitivamente, um dos times mais fracos da competição. Contra eles, talvez até Roberto Carlos, Cafu e Emerson pudessem brilhar.

 

Minha escalação, para que venham os tomates: Dida, Cicinho (Cafu), Lucio, Juan e Gilberto. Gilberto Silva, Zé Roberto, Juninho Pernambucano e Ronaldinho Gaúcho. Kaká e Ronaldo.



 Escrito por BlogGol às 10h28 [] [envie esta mensagem]






AGORA É A HORA DE VERMOS SE PARREIRA É BOM LÍDER

 

Por Nelson Botter.

 

Parreira lançou um livro sobre gestão de equipes, um paralelo entre futebol e empresa, mostrando como se forma e gerencia equipes vencedoras. A sinopse diz que "ao longo da carreira, Parreira enfrentou as mais adversas situações, quebrou paradigmas e superou obstáculos. Lidar com os egos das maiores estrelas do futebol, adaptar-se às diferenças culturais das equipes e superar crises financeiras e políticas são apenas alguns exemplos das experiências que viveu e que o consagraram como modelo de superação e liderança".

 

Pois é, chegou a hora dele mostrar a todos que seus ensinamentos não são meras palavras ao vento. É inegável que a equipe melhorou com as modificações, é inegável que ele já sabia que isso aconteceria, é inegável que ele já esperava a pressão da opinião pública para que as mudanças fossem permanentes e é inegável que ele já esteja sofrendo a pressão das "estrelas" da equipe, repletas de egos, para que as alterações sejam desfeitas.

 

Não vai ser fácil administrar as estrelas e a opinião pública. Mas Parreira já sabia disso ao promover as mudanças no time, que a princípio seriam por cartões amarelos, e depois revelaram-se por outros motivos (afinal, Ronaldo e Robinho tinham cartão). É uma trilha que talvez não tenha volta para o técnico, pois se ele mantiver as alterações, agradará a opinião pública e formará uma equipe mais competitiva, entretanto terá membros importantes de sua equipe insatisfeitos e - provavelmente - dispostos a tumultuar o ambiente do grupo. Se voltar com o time anterior, no caso de fracasso será crucificado pela imprensa mundial e pelo povo brasileiro.

 

Com isso, é muito provável que Parreira chegue num meio termo. Emerson e Cafu devem ter sido poupados por causa do cartão amarelo mesmo e muito provavelmente voltam contra Gana. É difícil acreditar que Cafu sairá não só da equipe, mas também de sua posição de capitão e líder. Já Adriano e Roberto Carlos foram realmente sacados. Adriano por atrapalhar o jogo de Ronaldo e Roberto Carlos por não ser mais o de outros carnavais. Com isso, Zé Roberto pode dançar também, pois sua função é muito ligada a um "back-up" de Roberto Carlos.

 

No final das contas, concluo que as modificações são relacionadas a cartões sim, mas não só os tomados em campo. Para Adriano provavelmente foi vermelho, Robinho é titular pra ajudar Ronaldo, que se não tivesse ido bem, seria sacado. Resta saber se o de Roberto Carlos foi apenas um amarelo, do tipo "ou você joga, meu amigo, ou esquenta o banco". E pensando bem, é um amarelo geral, um aviso do gestor a todos seus comandados. É preciso produzir, senão modificações serão feitas. Nada de cadeira cativa na seleção. E, dado o recado, só nos resta esperar para saber se a sinopse do livro de Parreira está certa, quando diz que ele é um exemplo de superação e liderança. Pelo visto, fortes emoções aguardam o gestor Parreira...



 Escrito por BlogGol às 12h38 [] [envie esta mensagem]






POR QUE QUEREMOS ESPETÁCULO?

 

Por Milly Lacombe.

 

Dizem os idiotas da objetividade: dois jogos, duas vitórias, três gols marcados, nenhum sofrido. Do que reclamam os chatos e pessimistas? Tudo vai bem, o caminho para o hexa cada vez mais curto. Pode ser de fato que tudo vá bem. Mas os chatos e pessimistas devem ser explicados. Vamos lá. Talvez mais do que o hexa, mais do que sair pelo mundo mostrando as duas mãos para indicar que ganhamos seis vezes essa taça, o que o brasileiro quer é ver um bom jogo de futebol. E isso, não há um ser humano que possa negar, ainda não aconteceu. Então, a pergunta correta é: por que diabos queremos não apenas ganhar, mas jogar bem?

 

A resposta é um pouco mais filosófica do que parece. Somos, esse bicho homem, seres essencialmente livres. Está em nossa célula-mãe. Liberdade acima de tudo. Mas, o desenvolvimento econômico e social nos faz, cada vez mais, trocar liberdade por segurança. No mundo de hoje, as duas não caminham juntas. Ou uma, ou outra. O brasileiro, que vive nesse país abençoado mas extremamente desigual, faz essa escolha  todos os dias. Deixamos de sair de casa depois de uma certa hora porque é perigoso. Cercamos nossas casas com grades e aceitamos viver cada vez mais aprisionados em nome da segurança. Nos confinamos em relacionamentos acabados porque eles nos dão segurança social. E quando fazemos essas trocas estamos corrompendo uma de nossas características mais básicas: a liberdade. Não nos agrada a troca, porque no fundo ainda queremos liberdade, mas é o que podemos fazer diante do cenário atual: trocar segurança por liberdade.

 

A arte (e o futebol é uma das manifestações mais harmônicas de arte) é um dos poucos – talvez o único – reduto no qual a liberdade ainda vence a segurança. O nosso futebol, conforme entrou para a história, é o maior desses redutos: nele, a liberdade ganha de goleada. Trata-se de um bem-vindo resgate a nossa alma. Como se fosse uma vingança contra o caminho torto que a vida parece ter tomado. Se em nossas vidas não podemos fazer a liberdade vencer a segurança, dentro de um campo de futebol isso é possível.

 

Por isso, sempre que vemos o escrete jogar esse jogo careta, chato, burocrático, cheio de toques para o lado, respeitando uma estreitíssima obediência tática, sem criatividade, confinando o melhor jogador de mundo a uma posição aprisionada, sendo obrigado a marcar, sem liberdade temos vontade de gritar um sonoro “Nãããão! Aqui não!”. Queremos ver nosso futebol como o veículo da liberdade contra a segurança. Queremos que ele nos resgate, nos salve. Queremos ver o Ronaldo Gaúcho mandar essa rigidez tática às favas, ver o Zé Roberto se aventurar pela ponta esquerda, ver o tal quadrado se movimentar muito, usar a linha de fundo, trocar de posição constantemente. E não estamos vendo nada disso. Estamos em nossas casas assistindo ao jogo sentados no sofá. Não há um pingo de emoção e alma no toque de bola dessa seleção.

 

Agora, aos objetivos resta um consolo. Porque só uma coisa é pior do que jogar mal e ganhar: é não ganhar. Então, se tiver que ser assim, que pelo menos seja assim até o final.



 Escrito por BlogGol às 13h33 [] [envie esta mensagem]






VITÓRIAS SEM BRILHO NÃO INTERESSAM

Por Milly Lacombe.

OK, vencemos os dois jogos. Mas, falando francamente e sem ufanismo, a seleção não está jogando nada. Alguém está surpreso com isso? Se a resposta é "sim", eu pergunto: quando essa seleção jogou bem? Jogou para encantar? Nas eliminatórias? Não. Na Copa das Confederações? Talvez, mas só contra a Argentina. Para quem não se lembra, perdemos do México e empatamos com o Japão jogando sofrivelmente. Então, qual é a surpresa? Há muito nosso futebol privilegia o burocrático, o careta. Enquanto o resto do mundo tenta imitar nosso jogo bonito, buscamos imitar a obediência tática deles. Mas que brasileiro bom de bola quer ser taticamente obediente? Quem prefere o toque para o lado ao drible inesperado? E quem consegue responder a perguntas como:

Por que Ronaldo Gaúcho está jogando sacrificado fora de posição, no meio de campo, e não encostado aos centro-avantes, onde ele faz mágica?

Por que o Fenômeno continua titular mesmo fora de peso, de forma, de ritmo, de interesse? É lamentável e constrangedor ver Ronaldo em campo. Cenas como a épica furada de ontem entrarão para a história. Ronaldo talvez não precisasse disso no currículo.

Por que Cafu e Roberto Carlos são vitalícios de suas posições mesmo sem jogar rigorosamente nada? Não apóiam com eficiência, deixam buracos quando sobem e não voltam, não compõe o meio de campo como o futebol moderno exige.

Por que jogamos com dois centro-avantes bruta-montes mesmo sabendo que eles estão, há três anos, batendo cabeça e disputando um mesmo lugar no espaço?

Por que não vamos à linha de fundo com pelo menos dois dos integrantes desse tal quadrado mágico?

Por que não nos mexemos mais em campo?

Por que Juninho Pernambucano, um jogador cheio de recursos técnicos, que desarma e arma com a mesma eficiência, bate falta melhor do que ninguém, vai a linha de fundo, se mexe tanto quanto Kaká, está no banco?

Por que jogamos sem um meia de ligação? Gaúcho e Kaká não são, e nunca foram, meias-armadores. Tratam-se de dois bons meias-atacantes, o que é bem diferente. Sem um meia-armador de ofício (como Pernambucano e Ricardinho) fica difícil fazer a bola passar com leveza da defesa ao ataque. Ou vamos contar com Emerson para a função? Pelo amor de Deus.

OK, essas são todas perguntas legítimas. E perguntar não ofende. Mas experimente fazê-las ao Parreira se for macho. Nosso comandante, na minha opinião um dos melhores técnicos do mundo, anda muitíssimo mal-humorado. Ele e toda a delegação que saiu daqui em busca do hexa. Ô gente amuada. Cadê o ímpeto de campeão? Onde está a raça dessa seleção? Seriam eles mais estrelas do que atletas? Acreditam realmente que podem ser hexa sem treinar decentemente? Ou gostam mesmo é  do discurso de "somos os melhores do mundo e vamos provar isso em campo"? Quando exatamente eles pretendem provar isso?

Daqui da tela de minha TV, a atitude desse selecionado de celebridades me parece extremamente arrogante. Uma coisa é sair gritando ao mundo que somos penta e somos os melhores. A outra é entrar no campo, tratar a bola com carinho e suar a camisa. Isso, ainda não vimos. E estamos nos contentando em elogiar fartamente o único jogador desse time que corre pra lá e pra cá: Kaká. Estaríamos finalmente nos conformando com o ordinário? Ou o Brasil é muito mais do que um jogador esforçado, que se coloca bem, busca jogo e tem pulmões de aço? Na minha opinião, somos bem mais do que isso. Mas, por hora, é só isso o que temos. E na figura de um homem só.

Em cada esquina desse país existe um moleque de pele escura, roupas velhas e riso solto que faz mágica com uma bola nos pés sem que nunca tenha sido ensinado a fazer isso. Faz parte de nosso DNA. É por isso que jamais engoliremos vitórias sem brilho de futebol careta. É por isso que jamais engoliremos jogadores-celebridades, que dão entrevistas de cara amarrada, que respondem grosseiramente, que escolhem as perguntas que lhes devem ser feitas. Esses 23 homens na Alemanha são nosso exército da paz. Deveriam, além-mar, passar a imagem de quem somos: uma gente alegre, boa de ginga, de riso fácil, mesmo vivendo em condições que nem sempre são as mais adequadas. É no futebol que ainda mora nossa dignidade. É no futebol que viaja nossa boa imagem. Essa delegação que busca o hexa está pisando na bola com a nação brasileira. Vitórias sem brilho e com pose de arrogantes não nos interessam. Que a ginga e o bom humor entrem em campo e possam, pela sexta vez na história, nos salvar.



 Escrito por BlogGol às 13h34 [] [envie esta mensagem]






QUADRADO? QUE QUADRADO?

 

Por Milly Lacombe.

 

Não sei bem quem cunhou a expressão “quadrado mágico”, mas estou convencida de que é preciso parar de repeti-la. Antes de mais nada, porque é constrangedor continuarmos a usá-la, quase presunçosamente, para indicar que temos, entre meio de campo e ataque, quatro maestros batendo um bolão, movimentando-se com extrema agilidade e formando a tal figura geométrica. Kaká, tá certo, é esforçado, se movimenta com competência e tem um pulmão invejável. Mas não nos precipitemos a elegê-lo o nome da Copa porque, a rigor, é isso o que ele faz. E tem gente aí (o tcheco Nedved e o argentino Riquelme, para citar apenas dois, que faz muito mais do que isso). Ronaldinho Gaúcho é sim um mago da bola, mas um homem sozinho, e sempre marcado por três, não constitui um quadrado. Adriano quase não se mexe, está tecnicamente irreconhecível e não tem quem lhe sirva uma bola redonda. E Ronaldo, convenhamos, está completamente fora de forma, sem interesse e quase gozando com a nossa cara. Então, se eu não fosse brasileira e ouvisse a imprensa local falar em quadrado mágico, me sentiria a vontade para rir.

Aliás, quando esse tal quadrado mágico se comportou como um quadrado verdadeiramente mágico? Em jogo da eliminatória numa fase em que já estávamos classificados e que era fácil golear? Então não vale. Ou, se vale, tem time aí com quadrados muito mais mágicos. E não é preciso nem citar Espanha, Argentina e Repúplica Tcheca, que já mostraram ter no meio de campo e no ataque atletas criativos, em forma e tecnicamente brilhantes (o quarto gol da Espanha contra a Ucrânia foi absolutamente espetacular: troca rápida de passes, dribles bonitos, jogada dinâmica. Se tivesse sido marcado pelo Brasil, estaríamos todos ufanisticamente repetindo ‘que maravilha! Que beleza! Como jogamos bem!). Mas não é preciso citar gringos, já que apreciar o futebol estrangeiro e as qualidades dos atletas que não são brasileiros parece ofender muita gente. Busquemos, então, um exemplo interno. Se a seleção brasileira tem em Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho um quadrado mágico, o time do São Paulo tem um hexágono ainda mais mágico. Quando Mineiro, Danilo, Alex Dias, Ricardo Oliveira e os laterais Souza e Junior trocam de posição de forma quase simultânea, jogam sem bola, fazem tabelas extremamente rápidas e mostram ao torcedor – até do time rival – que o futebol brasileiro tem ginga e ritmo, pronto, está formado um hexágono, esse sim, muitas vezes, mágico. E era mais ou menos isso o que esperávamos do nosso pseudo-quadrado: que nossos jogadores se alternassem caindo pelas pontas (a linha de fundo, aliás, está sendo solenemente ignorada pelo ataque do Brasil. Por que não usar as beiradas do campo, meu deus?), pelo meio da área, pela entrada da área. Com ritmo, graça e, por que não?, magia. Por tudo isso, jogando essa bolinha que estamos jogando, continuar falando em quadrado mágico está soando ridículo e arrogante.

Agora, se Juninho Pernambucano, em forma espetacular e cheio de recursos técnicos (bate falta primorosamente, desarma, arma, cai pelas laterais) entrar no lugar de Ronaldo, se Ronaldinho jogar mais adiantado, se Adriano melhorar apenas um pouco e se Kaká continuar com esse fôlego, aí sim poderemos ter, finalmente, um quadrado. E, quem sabe, mágico. Mas até lá, para que não façamos um papel arrogantemente constrangedor, melhor parar de repetir a expressão.



 Escrito por BlogGol às 11h21 [] [envie esta mensagem]






QUE TAL VER O JOGO DO BRASIL NA CROÁCIA?

 

Por Nelson Botter.

Minha decisão (tomada em cima da hora) de assistir Brasil e Croácia em Zagreb, plena capital croata, foi - no mínimo - ousada, uma vez que fui sozinho e sem conhecer ninguém. E tem mais: com a camisa canarinho em riste, afinal tinha certeza que encontraria mais brasileiros por lá, pois somos como formigas, estamos em todos os lugares.

Cheguei lá de trem, exatamente duas horas antes da partida. Rapidamente fiquei sabendo que haveria um gigantesco telão no centro antigo da cidade, repleta de edifícios históricos, igrejas, instituições, restaurantes e cafés. Poderia bater a pé o percurso, mas para não arriscar perder a hora do jogo resolvi pegar um funicular (tipo de bondinho) na Rua Tomiceva.

Enquanto eu me dirigia ao centro histórico, podia sentir a ansiedade das pessoas nas ruas, todas uniformizadas e demonstrando confiança numa boa apresentação contra o Brasil. Tentava conversar com algumas pessoas (os poucos que falavam inglês) e sempre sentia uma admiração e respeito pelo futebol brasileiro, mas não medo. Nesse instante percebi que o jogo não seria moleza como muita gente pensava.

Passando pela praça Ban Josip Jelacic, pude ver dois rapazes com a camisa da seleção brasileira caminhando. Ufa! Chega de ser patinho fora da lagoa. Desci do funicular e me aproximei. Cheguei com um sorriso, disse ser bom encontrar brasileiros na Croácia, mas os dois ficaram me olhando com cara de quem não havia entendido nada. Então, um deles falou algo em inglês com uma pronúncia esquisita. Eram croatas, que revoltados com o governo, torceriam pelo Brasil. Disseram até que já tinham comprado os uniformes de Japão e Austrália. Achei engraçado, já pensou isso aqui no Brasil? Impossível, né... Resolvi acompanhar os dois abrasileirados.

Chegamos no local do telão, a rua estava cheia de zagrebinos eufóricos e quando o hino croata começou, muitos não contiveram as lágrimas. No hino brasileiro todos quietos, admirando o forte esquadrão brasileiro em close no telão. Quando o juiz apitou o início da partida, todos comemoraram como se fosse um verdadeiro gol. Os dois croatas abrasileirados sopravam suas cornetas sob os olhos tortos da torcida croata. Três pontos amarelos num rio de camisas azuis.

Aos dois minutos um dos abrasileirados disse que ia comprar cerveja e se dirigiu para a parte de trás do telão. Não deu um minuto e o telão piscou. Todos ficaram apreensivos, como se pudessem adivinhar o que estaria por vir... Dez segundos depois um enorme estrondo se fez ecoar no centro histórico. Luzes e faíscas, pedaços do telão voando para todos os lados, princípio de incêndio na fiação e corre-corre.

Terrorismo? Que nada! As instalações de energia um tanto antigas não suportaram a carga exigida pelo telão... mas vai explicar isso para os croatas! Resultado: blackout na cidade inteira e - pior - era culpa dos "brasileiros"! Sim, pois aquele abrasileirado que foi perto do telão logo foi acusado de sabotagem, com cerveja e tudo.

Todos nos cercaram, enquanto o outro era carregado por dois policiais. Nossa sorte é que mais dois policiais abriram caminho na multidão e nos escoltaram (ou prenderam), evitando assim uma crise diplomática entre os dois países.

Pois é, meus amigos, agora aqui estou, em plena Croácia, sem luz nem comunicação, numa cela da cadeia junto com mais dois croatas revolucionários vestidos com o uniforme da seleção brasileira, desesperado para saber qual foi o resultado da partida. Brasil ganhou? Tomara...

É, maldita hora que não fiquei no Brasil curtindo o expediente mais curto e a comemoração nas ruas, a mais pura representação do jeitinho brasileiro. Aliás, falando nisso, alguém aí pode me indicar um bom advogado aqui em Zagreb?

Nelson Botter é cronista do Blônicas no UOL e nunca esteve na Croácia.



 Escrito por BlogGol às 10h08 [] [envie esta mensagem]






POR QUE O BRASIL NÃO VAI GANHAR A COPA

Por Milly Lacombe.

Seu Fernando nasceu no sertão do Piauí, há pelo menos seis décadas. Antes de completar um ano, perdeu pai e mãe. Sobreviveu porque é teimoso e, aos 15, se mandou para o Rio, onde o sol brilha sempre, mas a água não falta. Aprendeu a ler, e nada mais. Com 20 e poucos tirou carteira de habilitação e entrou para o serviço de frota de táxi. E assim vive até hoje, ainda no Rio. Me levou de um ponto a outro na semana passada. E foi nessa viagem que conheci sua história. Seu Fernando fala de política (odeia Lula e o PT), economia, literatura e, naturalmente, futebol com fartura. É um poço de sabedoria popular. E foi ele que me explicou por que o Brasil não vai ganhar a Copa.

O Brasil não vai ganhar a Copa porque levou para a Alemanha 23 celebridades, e não jogadores de futebol. Não vai ganhar porque nosso técnico, apesar de muito culto, capaz e hábil, está profundamente entediado com a rotina cinco estrelas de treinamentos/espetáculos. Aliás, nosso comandante já saiu daqui enfadado com seu ofício. Passou os últimos quatro anos sem fazer nada, a não ser ir de um canto a outro, em viagens cinco estrelas, assistir nossas celebridades jogarem além-mar. E agora, que terá que passar mais de 40 dias trabalhando de sol a sol, está de mau-humor. Mau-humor que é a moeda de troca nessa delegação. São 23 carrancudos. Quando brincam e fazem piadas, fazem entre eles, e, ainda assim, apenas para aparecer nas lentes das TVs, que os flagram quase 24 horas por dia, num tremendo bacanal bigbrotheriano. Sabem que estão sendo observados, e deixaram há muito a autenticidade em casa. São atores cumprindo seus papéis. Disputam cobranças de faltas para ver quem acerta a trave mais vezes, para entreter a platéia e, principalmente, para alimentar seus egos. Ganham por dia, entre contratos publicitários e salários, mais do que alguns de nós ganharemos a vida inteira. E, mesmo assim, reclamam que a vida é dura, é cheia de pressão – e de perguntas inadequadas. Essa seleção escolhe as perguntas que devem ser feitas a eles. Aceitam apenas os jornalistas que babam ovo. Nada de críticos. Afinal, são os melhores do mundo. E há de se ter respeito com eles. Por respeito, escalamos dois cones nas laterais. Cones que, em anos recentes, muito fizeram por nossa história esportiva. Mas, se é por dever histórico, deveríamos convocar Pelé desde 58 – e para sempre. Mas ai de quem ousar dizer que já não jogam como antes. Colocam as carrancas para fora e mostram suas garras. Ronaldo, aquele mesmo que em 98 protagonizou o mais misterioso dos acontecimentos em uma final de Copa do Mundo, visivelmente acima do peso, é o homem do humor-zero. Quando finalmente diz alguma coisa engraçada, fazendo referência ao apreço do Presidente por uma bebidinha, e deixando de lado, pelo menos por alguns minutos, a hipocrisia que impera nesse escrete e no mundo, depois faz média e avisa que vai votar no homem. E viva o puxasaquismo, viva a fama, viva o poder, viva a babação de ovo.

Enquanto estamos preocupados em alimentar e perpetuar nosso complexo de pitbull – que deu lugar ao antigo complexo de vira-lata, aquele que nos fazia baixar a cabeça antes de cumprimentar o adversário – nossos rivais são beneficiados pela falta de favoritismo. Cabe a nossos milionários da bola mostrar que são mais do que celebridades, são um time. Seu Fernando duvida que isso vá acontecer. Acha que o Brasil não vai driblar o próprio ego, que vai perder para a vaidade, vaidade que está cegando essa delegação de uma ponta a outra. Uma pena. Uma pena que uma geração tão talentosa saia de campo derrotada. E de nariz empinado. Porque, segundo nosso condutor, esses caras, esses 23 milionários entediados, não vão, nem assim, perder a pose.

Isso tudo dito, Seu Fernando pede licença para ir pegar outro passageiro. Aos 66 anos, precisa trabalhar diariamente para colocar comida na mesa. Mas disso não reclama. "Porque essa é a vida real, é a vida que enobrece, e me enche de dignidade. E é só isso que a gente leva daqui. Que se dane essa seleção".



 Escrito por BlogGol às 23h13 [] [envie esta mensagem]






LULA FOI INCONVENIENTE, MAS RONALDO TAMBÉM

Por Nelson Botter.

Já é sabido que o presidente Lula adora falar de futebol, inclusive sempre usa o esporte como referência para suas metáforas em discursos e afins. Até aí tudo bem, cada um usa as armas que tem, alguns usam filosofia, outros papo de botequim, não é esse o problema, a questão é que o presidente precisa medir mais suas palavras. Claro, não falou nada de mais, afinal tocar no assunto "peso do Ronaldo" é lugar comum, o próprio Casseta e Planeta faz isso toda semana com o Bussunda vestido com a 9 da seleção, mas acontece que no cargo de chefe de estado, Lula deveria ter um pouco de previsibilidade e evitar assuntos que possam dar pano para a manga, que sejam um prato cheio para quem quer criar polêmicas... Aliás, é só falar em Lula que começo com metáforas.

Não vi a teleconferência, mas quem viu disse que Lula não falou que Ronaldo está gordo, e sim que ele o tinha visto magro pessoalmente e que os jornais diziam o contrário, que o atacante estava fora do peso. E aí, talvez por falta de assunto, veio a pergunta besta: "É verdade que ele está gordo, Parreira?". Pronto, abriu o caminho para o falatório, ainda mais numa época em que tudo pode ser usado contra sua duvidosa figura de líder da nação.

Para piorar a coisa toda, Ronaldo rebateu a fofoca de maneira deselegante (pois chegou aos seus ouvidos de maneira mais maldosa, já que ele não estava na teleconferência). Ciente de um dos pontos fracos do presidente, sempre acusado por abusar das bebidas alcoólicas, não mediu as palavras e desferiu um comentário agressivo e grotesco contra o representante máximo de seu país. Não precisava, Ronaldo pode fazer melhor que isso, pode mostrar no campo se está em forma ou não. É lá a resposta e não aos microfones. Eis o problema: a reação de Ronaldo revela estar saturado com esse assunto e seu nervosismo é evidente. Que isso não o prejudique em campo, pois a pressão está grande.

Segundo o Blog do Juca, Ronaldo teria dito que gostaria de perguntar a Lula: "É verdade que o senhor bebe? Eu ouço muita gente falando que o senhor bebe demais. Deve ser mentira, como é mentira o fato de eu ser gordo". Hmmm... analisando essa frase, podemos talvez concluir até que Ronaldo concorda que está fora do peso... sei não, essas entrelinhas são perigosas. Para quem conhece Lacan meia palavra basta.



 Escrito por BlogGol às 19h23 [] [envie esta mensagem]






OS PERIGOS PSICOLÓGICOS DO FAVORITISMO EXAGERADO

 AFP

Por Nelson Botter.

Apesar dos jogadores da seleção e – principalmente – a comissão técnica declararem milhares de vezes que não existe clima de "já ganhou" ou "salto alto", não há como negar que a expectativa pela conquista do título da copa do mundo é imensa. Torcedores, profissionais de futebol e imprensa reconhecem no Brasil uma força quase imbatível, transmitindo exclusivamente para o selecionado brasileiro a obrigação da vitória. Com isso, as outras seleções se livram dessa responsabilidade, ela é exclusiva do Brasil, atuais defensores do título. E esse é o grande perigo da coisa: a ansiedade.

Por mais que os jogadores brasileiros tenham consciência que nada está ganho e que será dentro de campo que a coisa toda se resolverá, é do ser humano alimentar uma expectativa exagerada para se conquistar um determinado objetivo. Isso gera uma ansiedade sem limites dentro e fora de campo, que dependendo do equilíbrio emocional de nossos jogadores, pode acarretar em descontrole e nervos à flor-da-pele.

Num primeiro momento pode parecer exagero de minha parte, coisa de psicanalista que quer falar de futebol, mas durante o calor do jogo, numa partida decisiva, se o gol demorar a sair ou se as adversidades forem maiores do que o esperado, essa ansiedade pode se tornar o maior adversário da seleção brasileira, pois para ela não existe outra alternativa senão confirmar seu favoritismo.

É uma situação muito complicada, a tal "sinuca de bico". É nesse momento que seleções inferiores tecnicamente conseguem triunfar. A velha história de Davi e Golias. E para piorar o quadro, sabemos que há seleções que apesar de tecnicamente inferiores à brasileira, são extremamente competitivas e têm todas as condições para chegarem ao título.

Uma prova da pressão negativa do favoritismo exagerado se viu na copa passada, quando França (na época a atual campeã) e Argentina vinham carregadas de expectativas. Ambas as equipes se perderam dentro de campo e não passaram da primeira fase. Um tragédia anunciada, pois o esporte depende muito do estado emocional do atleta, e jogar uma copa já é um grande desafio psicológico, imagine com a necessidade de provar a todos que você realmente é o melhor. É para poucos...

Sabemos que um competente trabalho psicológico é feito na seleção brasileira e que estão todos alertados quanto a esse problema. Futebol para ganhar dos outros nós temos, mas isso só não basta. É preciso foco no objetivo e equilíbrio emocional para mantê-lo. Lidar com a ansiedade é um dos maiores desafios do ser humano e se o Brasil conseguir derrotá-la, será a maior vitória de todas.



 Escrito por BlogGol às 11h11 [] [envie esta mensagem]






CAVALINHOS DA COPA

Por Nelson Botter.

Sim, Copa do Mundo é a mais importante competição futebolística mundial, um desfile de craques, etc e tal, mas não há como negar que apesar de não ser o Joquey Clube, muitos estádios da Alemanha terão em campo, desfilando e talvez até pastando, alguns notórios cavalinhos, daquele tipo que a cada coice é um craque avariado, travas da chuteira funcionando como ferraduras, enfim, faz parte do futebol, sempre fez e sempre fará, os cabeças de bagre, melhor dizendo, os cavalinhos; para eles ser desleal é legal, então vamos a uma pequena relação dos potenciais candidatos ao prêmio Ferradura de Ouro da Copa 2006:

  1. Coloccini (Argentina) – Com seus cabelos que imitam o famoso cantor brega Ovelha, esse argentino ficou famoso na Copa das Confederações quando demonstrou toda sua deslealdade em jogadas violentíssimas, e cada vez que pegava na bola era extremamente vaiado. Tem tudo para ser um dos maiores cavalos da copa, se entrar em campo, é claro.
  2. Salgado (Espanha) – Nem precisa dizer nada, apenas que é ruim de bola e quebrou Juninho Paulista numa jogada por trás, antes da copa de 1998, impedindo que o baixinho disputasse o torneio.
  3. Materazzi (Itália) – Jogador da Inter de Milão, é capaz de jogadas absurdas e grotescas, beirando a tentativa de assassinato. Se rolasse um bolão, apostaria pesado nesse aqui para ser o cavalo da copa.
  4. Gattuso (Itália) – Mais um jogador italiano. Há quem defenda o rapaz dizendo que ele é apenas um jogador duro, um marcador implacável, estilo Dunga. Sim, é verdade, mas não há como negar que de vez em quando ele se empolga e acerta em cheio o adversário... sem dó.
  5. Lúcio (Brasil) – Alterna momentos de técnica com verdadeiras tragédias. Sabe jogar, é ídolo no Bayer, mas dependendo do clima da partida tende a se enervar além da conta e carimba o adversário na primeira oportunidade, sem medir forças.
  6. Heinze (Argentina) – Apesar de saber jogar bem futebol, vira e mexe confunde jogar duro com ser desleal. Os ingleses do Manchester, clube em que ele atua, gostam muito dele, afinal as pancadas vão nos adversários.

É claro que temos muitos outros candidatos que no momento me fogem à mente, mas para isso serve a área de comentários abaixo, para concordar, discordar, lembrar de outros nomes, votar ou simplesmente opinar. É isso aí, depois falo sobre os maiores enganadores da Copa.



 Escrito por BlogGol às 22h20 [] [envie esta mensagem]




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Escritora, jornalista, editora da Revista Tpm e comentarista do SporTV. Sua oração diária:" Deus proteja-me de seus seguidores e permita que o Timão vença a próxima".

Escritor e psicanalista. Organizador do blog literário Blônicas no UOL. Sua oração diária: "Senhor, não atenda a segunda parte da oração da Milly".
 
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